Aumento de carga: o que fazer antes de instalar máquina nova

Sua entrada de energia aguenta o novo equipamento? Como avaliar demanda, quando pedir aumento de carga à concessionária e o que muda no quadro.

Antes de instalar máquina nova, confira se a entrada de energia aguenta. É preciso levantar a carga instalada, calcular a demanda com os fatores corretos e comparar com a potência contratada e a capacidade do padrão de entrada. Se não couber, o caminho é solicitar aumento de carga à concessionária — processo que leva semanas e precisa começar antes da compra do equipamento.

O erro que custa caro

A sequência que mais atendemos é sempre a mesma: a empresa compra o equipamento, agenda a instalação, o fornecedor entrega — e só aí alguém pergunta se a elétrica aguenta. Quando não aguenta, o equipamento fica parado no galpão enquanto o processo de adequação corre, com o investimento já feito e sem produzir nada.

Avaliar a capacidade elétrica é a primeira etapa da compra, não a última. Uma visita técnica antes de fechar o pedido custa uma fração do prejuízo de um equipamento parado.

Como avaliar se a instalação suporta

1. Levantar a carga instalada

Somar a potência de tudo que está ligado: iluminação, tomadas, climatização, motores, compressores, fornos, equipamentos de processo. Isso já mostra o quanto a instalação foi projetada para suportar.

2. Calcular a demanda, não a soma bruta

Nem tudo funciona ao mesmo tempo. A demanda aplica fatores de utilização e simultaneidade sobre a carga instalada, resultando na potência que realmente precisa estar disponível. É esse número que se compara com a potência contratada.

3. Considerar a corrente de partida

Este é o ponto que mais gente esquece. Um motor de indução puxa, na partida direta, várias vezes a corrente nominal. Um motor que consome 20 A em regime pode exigir bem mais que isso por alguns segundos ao ligar — o suficiente para derrubar o disjuntor geral e afundar a tensão da instalação inteira.

É por isso que a forma de partida importa tanto: partida direta, estrela-triângulo, soft-starter ou inversor mudam completamente o impacto na instalação. Escolher o método certo, muitas vezes, evita a necessidade de aumentar a carga.

4. Verificar o padrão de entrada e o alimentador

Mesmo que a potência contratada seja suficiente, o disjuntor geral, o ramal de entrada e o cabo alimentador do quadro precisam ter capacidade. Não adianta ter energia disponível na rua se o caminho até a máquina é estreito.

5. Checar a infraestrutura de cabos

O trajeto até o novo equipamento precisa de rota adequada. Enfiar mais um cabo numa eletrocalha já lotada gera agrupamento, que reduz a capacidade de condução de todos os cabos daquele trecho. Veja infraestrutura elétrica: eletrocalhas, perfilados e leitos.

O que muda no quadro

Situação O que costuma ser necessário
Cabe na potência contratada e no quadro Circuito dedicado novo, disjuntor dimensionado, cabo adequado e identificação.
Cabe na potência contratada, mas o quadro está cheio Ampliação do quadro ou instalação de quadro secundário próximo à carga.
Não cabe na potência contratada Solicitação de aumento de carga, adequação do padrão de entrada, do ramal e do QGBT.
Carga muito elevada Avaliação de entrada em média tensão com subestação própria.

O processo de aumento de carga

  1. Levantamento técnico da carga atual e da carga futura.
  2. Memorial e documentação exigidos pela concessionária.
  3. Protocolo do pedido junto à distribuidora.
  4. Análise técnica e resposta com as exigências de adequação.
  5. Execução das adequações — padrão de entrada, aterramento, QGBT.
  6. Vistoria da concessionária e liberação da nova carga.

Comece cedo. Entre o protocolo e a liberação podem se passar semanas, e o prazo não depende de você. Se o equipamento tem data para chegar, o processo elétrico precisa começar antes da compra — não depois da entrega.

Depois de instalar, inspecione

Toda ampliação muda o comportamento térmico do quadro. Redistribuição de carga entre fases, corrente maior no alimentador e conexões novas que ainda vão acomodar são motivos suficientes para uma inspeção termográfica algumas semanas depois da entrada em operação. É a forma mais barata de confirmar que a instalação absorveu bem a carga nova.

Precisa resolver isso na prática?

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Perguntas frequentes

O que é aumento de carga?

É o processo de elevar a potência disponível na entrada de energia da unidade consumidora junto à concessionária, para suportar novos equipamentos. Envolve solicitação formal, análise técnica da distribuidora e, em geral, adequação do padrão de entrada, do ramal e do quadro geral.

Como saber se minha entrada aguenta uma máquina nova?

É preciso levantar a carga instalada, aplicar os fatores de demanda e comparar com a potência contratada e a capacidade do padrão de entrada e do alimentador. Só o valor da placa do equipamento não basta — motores puxam corrente de partida muito acima da nominal, o que muda o dimensionamento.

Quanto tempo leva um pedido de aumento de carga?

Varia conforme a concessionária, a complexidade e a necessidade de obra na rede. Pedidos simples costumam levar algumas semanas; casos que exigem intervenção na rede da distribuidora ou entrada em média tensão levam consideravelmente mais. Por isso o processo precisa começar antes da compra do equipamento.

Posso instalar a máquina e regularizar depois?

Não é recomendável. Operar acima da carga contratada pode gerar multa, desligamento e problemas de qualidade de energia. Além disso, instalação sobrecarregada é motivo de reprovação em vistoria e de negativa de cobertura em caso de sinistro.

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